tinhualves enviou: Pesquisas apontam o Natal como a data em que a marca de 100 milhões de celulares será atingida no Brasil, mas estatísticas divulgadas pela Anatel dão conta de que o país superará o número já na primeira quinzena de dezembro.
Dentro de algumas semanas, o Brasil terá 100 milhões de celulares em operação. As estatísticas mais conservadoras apontam o Natal como a data em que a marca histórica será atingida, mas levando-se em conta os últimos levantamentos divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), é quase certo que o país superará o número já na primeira quinzena de dezembro. Nunca um aparelho eletrônico conquistou tanto espaço em tão pouco tempo. Apenas para efeito de comparação, funcionam hoje no país aproximadamente 60 milhões de televisores, equipamento que desembarcou em terras tupiniquins há mais de meio século. Quem nunca ouviu dizer que existem “mais TVs do que geladeiras no Brasil”? Pois bem, a população brasileira tem hoje mais celulares que televisores, geladeiras, máquinas de lavar roupa, aparelhos de som, aspiradores de pó ou qualquer outro tipo de eletrodoméstico, incluindo-se aí o telefone fixo.
O fato, por si só, merece uma reflexão. Assim como a velha comparação entre aparelhos de TV e refrigeradores, com um suposto excesso dos primeiros em detrimento dos segundos, servia para expor os problemas sócio-culturais da nação, a nova discussão que se apresenta é sobre um povo cada vez mais inserido na comunicação. “A telefonia celular está proporcionando uma inclusão social”, afirma o consultor Huber Bernal Filho, que também é um dos diretores do portal especializado Teleco. O diretor da Vivo para o Paraná e Santa Catarina, André Caio, exemplifica a tal inserção: “Alguns municípios bem pequenos, com menos de 5 mil habitantes, não possuem internet em banda larga e o sinal da tevê só é bem recebido com uma antena parabólica, mas as pessoas já começam a comprar celulares”. Nesse contexto, o aparelho só encontraria paralelo no rádio, o grande companheiro comunicativo das zonas rurais. “A história do telefone móvel no país é um caso de sucesso, que ofusca o bom desempenho de outros países sul-americanos, como Colômbia e Venezuela, na área. É uma trajetória que movimentou a economia nacional, trazendo investimentos e gastando em propaganda”, completa o diretor regional da Claro, Francisco de Oliveira.
O Brasil disputa hoje com o Japão a quinta posição entre os maiores mercados mundiais da telefonia celular. O principal fator para isso é a escala proporcionada por um país com 187 milhões de habitantes. “Temos um mercado de massa”, diz Oliveira. “Não podemos deixar de lado o fato de que o crescimento no número de telefones móveis é uma questão populacional. Não é à toa que países populosos, como Índia e Rússia, estão entre os campeões no uso de celulares – apesar do desenvolvimento social moderado”, frisa Bernal.
Efeito colateral dessa realidade está na proporção de planos pré-pagos entre as operadoras nacionais. Oito em cada dez usuários optam por esse tipo de pacote, que permite um maior controle dos gastos mensais – mas oferece pouco retorno financeiro às telefônicas. Não são raros, afinal, os pré-pagos que são usados apenas como terminais de recebimento de chamadas. “As vendas de pré-pagos devem continuar crescendo ou, no mínimo, se estabilizar na proporção atual. O perfil do cliente brasileiro pede essa solução”, explica o diretor da TIM Sul, Maurício Roorda. “Mesmo assim, apostamos em um crescimento das receitas vindas dos serviços de dados [download de ringtones, jogos e aplicativos, acesso ao portal wap, navegação na internet, entre outros]. Hoje, elas representam 7% do nosso faturamento, mas esperamos aumentá-las para entre 15% e 25%.”
De acordo com os executivos de telecomunicações, os 100 milhões de celulares não representam uma saturação do mercado e ainda há espaço para as operadoras aumentarem suas operações, mesmo que num ritmo mais lento. “O Brasil pode chegar a ter um ou mais celulares por habitante, como já acontece no Distrito Federal e em alguns países da Europa”, afirma o vice-presidente de planejamento estratégico e assuntos regulatórios da Brasil Telecom, Luiz Francisco Tenório Perrone. “Não podemos esquecer que a telefonia celular também cresce em duas outras frentes: a cobertura e o tráfego de informações.” Neste último aspecto, em particular, a terceira geração (3G) da telefonia (que permite transmissão de dados via celular em velocidade superior à banda larga) promete dar um novo impulso à eterna corrida pelos novos aparelhos.
fonte: Gazeta do Povo