riomarbruno enviou: Já é possível navegar gratuitamente na internet em três pontos de Curitiba: no Mercado Municipal, na Rua da Cidadania da Praça Rui Barbosa e no Parque Barigüi. Nestes locais foram instalados pontos de acesso a uma rede que dispensa o uso de cabos de conexão, e tudo o que o usuário precisa fazer é levar seu laptop.
A iniciativa é uma parceria entre prefeitura de Curitiba e o Instituto Curitiba de Informática (ICI), responsável pela instalação do sistema. Algumas áreas, como o Parque Barigüi, trouxeram desafios à equipe do ICI. “A maior dificuldade que tivemos foi com relação ao espaço físico. O parque é bastante arborizado e tem um lago que reflete o sinal Wi-Fi. Isso poderia causar ruído na conexão”, afirma Renato Rodrigues, diretor técnico do Instituto.
Velocidade
O sistema foi montado para suportar cerca de 50 usuários simultâneos em cada local onde há rede sem fio. E como é controlada pelo ICI, sua capacidade pode ser expandida em momentos em que várias pessoas estejam conectadas. Caso isso não ocorra, a velocidade tende a cair. “É como se estivéssemos compartilhando uma estrada. Nela cabem todas as pessoas, mas às vezes há um engarrafamento”, ilustra Luiz Fernando Ortolane, assessor técnico de informações da Secretaria Municipal de Administração.
Downloads e uploads, por exemplo, são procedimentos que podem desacelerar a navegação. Nessas operações, o usuário carrega arquivos inteiros, o que diminui a velocidade da conexão. “Mas mesmo assim, a conexão fica congestionada somente durante a execução do download ou do upload, e logo em seguida ela volta ao normal”, enfatiza Ortolane.
O administrador Alexandre Belache costuma utilizar a internet sem fio em alguns lugares privados que ofertam esse serviço, como shoppings ou certos postos de gasolina. Ele conhece os pontos viabilizados pela prefeitura, mas não se animou a utilizá-los. A justificativa do administrador é que o sinal disponibilizado pela prefeitura – de 1 MB ou 2 MB, dependendo do local – tem uma potência muito pequena. “Se você estiver sozinho ou acompanhado de poucos usuários, a velocidade da internet é boa. Mas se houver várias pessoas conectadas ao mesmo tempo, o sistema fica muito lento”, afirma Belache.
Ele sugere que a prefeitura melhore a qualidade da conexão e amplie a abrangência do serviço, disponibilizando os pontos de acesso em todos os bairros da cidade. Segundo o administrador, muitas pessoas possuem um computador em casa, mas não têm acesso à internet porque ela é paga. “E, hoje em dia, o computador sem acesso à internet perde boa parte de sua utilidade”, completa.
Segurança primeiro?
Para que os usuários não tenham seus laptops roubados, algumas medidas de segurança foram implementadas. Segundo a Secretaria Municipal da Defesa Social (SMDS), a segurança no Parque Barigüi, por exemplo, é garantida pelo sistema de câmeras de monitoramento e pelo patrulhamento da guarda municipal. No entanto, de acordo com a SMDS, a segurança pública é constitucionalmente uma responsabilidade do governo estadual e federal. “Nós a complementamos em algumas áreas, mas ela não é responsabilidade da guarda municipal”, argumenta.
Eduardo Gusso, analista de software, soube da rede Wi-Fi disponibilizada pela prefeitura através de uma reportagem de televisão. Ele se interessou pela iniciativa porque sua profissão está diretamente ligada à internet, e ele precisa freqüentemente usar seu laptop. Mas decepcionou-se quando descobriu a localização dos pontos. “Considero os três locais de pouca segurança. Já fui assaltado duas vezes na praça Rui Barbosa, em plena luz do dia”, conta. Eduardo teme ser roubado na saída do local. "Devido ao preço de meu equipamento, jamais me arriscaria a perdê-lo apenas para poder utilizar a internet naquela região", afirma.
Uma solução que Gusso acredita ser viável é a criação de pontos de acesso em museus e bibliotecas, destinando pequenas áreas desses espaços para que as pessoas possam utilizar seus laptops sem incomodar os outros visitantes. Ele considera esse tipo de ambiente mais interessante e produtivo para os usuários, pois os incentivaria a visitar locais que foram abandonados graças às facilidades oferecidas pela internet.
Já Alexandre diz que segurança não é um fator que o desestimula a usar o serviço da prefeitura. Ele reconhece que há maior probabilidade de um assalto nestes locais, mas acredita que a falta de segurança é um problema nacional, ou seja, não é exclusivo dessas pequenas áreas. “Nós não estamos seguros em lugar algum”, declara.
Ele sabe de vários casos em que a pessoa estava utilizando seu laptop em algum local público, e mais tarde foi abordada na saída ou no estacionamento, tendo seu computador portátil roubado. “Isso se deve à má distribuição de renda no Brasil, e, apesar da segurança ser um pouco melhor em locais privados como um shopping, um assalto é algo a que todos nós estamos sujeitos, seja lá onde estivermos”, opina.
Os comerciantes aprovam
"Acho que a instalação da rede de internet sem fio vai atrair novos clientes", afirma Noeli Mazeto, comerciante. Ela acredita que, por ser uma novidade, a rede Wi-Fi ajuda a divulgar a Rua da Cidadania da Rui Barbosa – seu local de trabalho. “Se mais pessoas vierem aqui para usar a rede gratuita, uma nova clientela tende a se consolidar”, argumenta.
Adriana Caznoca também é comerciante, mas ainda não conhecia a rede. Agora que a conhece, concorda com Noeli. Ela não usa a internet para administrar seu estabelecimento, pelo menos por enquanto. “Mas mais tarde, quem sabe? Agora que sei dessa facilidade, talvez eu a incorpore ao meu trabalho”, cogita.
fonte
http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/3516
http://riomarbruno.blogspot.com/2008/08/locais-pblicos-de-curitiba.html