tinhualves enviou: A tecnologia Power Line Communication (PLC) usa a rede elétrica para a transmissão de dados e voz. Os primeiros testes da tecnologia foram feitos na Inglaterra, na segunda metade dos anos 90. Atualmente, cresce aos poucos no Brasil, porém ainda sem utilizar todo o seu potencial: 96% das residências brasileiras têm energia elétrica, mas o PLC ainda é usado praticamente apenas em programas piloto.
O sinal de PLC é transmitido sobre os fios de cobre (ou alumínio) das redes de distribuição de baixa e média tensão e pode chegar a todos os cômodos de uma casa. Com ele, cada tomada se torna um ponto de acesso à internet, sem precisar de conversores ou instalações especiais, apenas de um decofificador, semelhante aos modens usados nas conexões em banda larga wireless ou através de linha telefônica e TV a cabo, que separa a corrente elétrica dos sinais de voz, dados e Internet.
Empresas de energia brasileira já colocam projetos em andamento. A Eletronorte, que "irriga" com cabos de energia elétrica toda a região Norte, é parceira do governo do Pará para a utilização de sua rede para transmissão de sinal de internet no estado. A iniciativa, batizada de "NavegaPará", está em curso.
"Atualmente, 96% das residências têm energia elétrica, e somente cerca de 65% são servidas por serviços de telecomunicações. Portanto, o acesso à utilização de PLC pode representar, para algumas comunidades, a única forma de receber sinais de telecomunicações", avalia Dymitr Wajsman, um dos diretores da Associação de Empresas Proprietárias de Infra-Estrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel).
A Aptel participou de um dos primeiros projetos de PLC do Brasil, realizado na cidade maranhense de Barreirinhas, em 2003. A diferença deste projeto, batizado de Ilha Digital, para os pilotos das companhias elétricas foi que ele abarcou a cidade inteira. A iniciativa teve início, meio e fim. Porém, foi relançada em 2007, agora já com o nome de Vilas Digitais e tendo à frente o Ministério das Comunicações.
O sinal de dados chega via satélite, por intermédio do programa Gesac, e é distribuído por PLC para 150 pontos, incluindo escolas, centros de saúde, centros administrativos, pequenas empresas e residências. Também integram o projeto a Eletrobrás, Eletronorte, Cemar, a Prefeitura de Barreirinhas e a própria Aptel.
Prós e contras
Algumas vantagens são óbvias na utilização de PLC. Sempre há tomadas em qualquer das áreas de casas e edifícios, enquanto nem todo cômodo tem um telefone. A capilaridade da rede elétrica é grande: como já dito, ela chega praticamente à totalidade dos domicílios brasileiros, enquanto nem todas as cidades têm serviços de telefonia fixa. Dessa forma, o sinal por rede elétrica, se passar a ser usado, já nasceria universalizado.
Outra vantagem é a facilidade de implementação. Não é necessária nenhuma instalação elétrica nova, e a rede não soma nenhum custo à conta de energia. Já se prevê que, com o PLC, o usuário poderá ligar ou desligar fogões, TVs, iluminação, ar-condicionado e outros eletrodomésticos via Internet, já que será utilizada a mesma rede.
Por suas características, a tecnologia surge como uma alternativa forte. Porém, sua velocidade de banda e suscetibilidade a interferências ainda não a tornaram a solução ideal. Normalmente, a banda de internet não passa dos 4,5 Mbps dentro de uma mesma área (ou seja, o trecho "iluminado" por um mesmo transformador).
Apesar de novos equipamentos e sistemas lógicos estarem sendo testados, prometendo velocidades de até 200 Mbps, a realidade é que, no Brasil, a rede elétrica é antiga, e a disposição de transformadores e equipamentos teria que ser melhorada para poder oferecer velocidades confortáveis para cidades inteiras.
Outra desvantagem vem do fato de o PLC ser uma mídia compartilhada: todas as casas conectadas numa mesma subestação estarão usando a mesma largura de banda. Isto significa que o desempenho da conexão pode variar de acordo com o número de pessoas que estiverem navegando ou baixando arquivos simultaneamente. Ainda, o sinal de internet pode sofrer oscilações pelos variados usos dados à rede elétrica, que puxem mais ou menos energia, ou variar acentuadamente à medida que se ligam ou desligam luzes ou aparelhos conectados a ela.
Além disso, outra característica das redes de energia elétrica no Brasil é o fato de estarem ao ar livre, o que as torna suscetíveis a fatores climáticos, vandalismos e demais possibilidades de interrupções. Países da Europa que já utilizam PLC de forma mais difundida, como a Alemanha, têm suas redes elétricas embaixo da terra.
Tanto essas vantagens e desvantagens, quanto novidades na área estarão em discussão no IX Seminário de Tecnologia PLC, marcado para 11, 12 e 13 de junho de 2008, em Belo Horizonte. Promovido anualmente pela Aptel, o evento é considerado o principal fórum de divulgação da tecnologia PLC no País, e é uma oportunidade para quem deseja conhecer mais sobre o assunto. Aspectos regulatórios, possibilidades de uso interno nas empresas e utilização de PLC para fins de inclusão social estarão na pauta. Maiores informações sobre o seminário: http://www.aptel.com.br/
Fonte: Convergência Digital