tinhualves enviou: São Paulo, 8 de Agosto de 2008 - A Net, empresa de serviços de TV a cabo que atua também com telefonia e internet banda larga, deve ter um fim de ano bastante agitado.
As estratégias de negócio da companhia podem sofrer modificações significativas caso a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão que regula e fiscaliza seu mercado de atuação, confirme a intenção de impedir as empresas de TV a cabo de fazer cobranças regulares a seus clientes pela manutenção de pontos adicionais. Isso significaria o fim dos pagamentos mensais por esse tipo serviço.
O texto sobre o tema foi colocado em período de audiência pública na última terça-feira. E estará sujeito a sugestões até o próximo dia 25. De acordo com cálculos da Net, se aprovado, reduzirá sua receita em aproximadamente 4%. "Se prevalecer a decisão da Anatel, uma das possibilidades da empresa será aumentar os preços cobrados de toda base de assinantes. Neste caso, não adotaríamos o Indice Geral de Preços do Mercado (IGPM), como referencial, pois ele tem subido muito", diz o diretor financeiro de relações com investidores da Net, João Elek.
Segundo o executivo, outra alternativa da empresa para recompor sua receita seria simplesmente interromper a oferta por pontos extras. O objetivo, nesses caso, seria migrar a base de clientes com mais de um ponto para pacotes de serviços que a operadora oferece, conhecidos como combos. "Achamos possível mesclar a decisão da Anatel - se ela for mesmo confirmada - e os interesses de mercado", afirma Elek.
O texto da agência reguladora não impede que as empresas de TV a cabo comercializem o aparelho que permite assistir aos canais pagos. Entretanto, a idéia parece não agradar à Net. "A venda da caixa não resolveria o nosso problema. No atual modelo, ela pode ser devolvida e, reaproveitada, vira receita. Hoje, a Net se enxerga como uma empresa de serviços e não como simples fornecedora de uma caixa de imagem", exemplifica o diretor de RI..
Outra das alternativas para não ter sua receita e outras margens de ganho alteradas com a possível alteração nas regras de TV a cabo do País seria a redução de custos com a força de vendas. A empresa registrou crescimento de 50% em sua base de clientes em relação ao 2º trimestre do ao anterior. O resultado reflete, principalmente, o aumento da base de serviços de banda larga. "Seria negativo, pois sacrificaria nosso ritmo de crescimento", diz Elek..
As despesas geradas para viabilizar vendas totalizaram R$ 91,5 milhões no 2 trimestre, um aumento de 39% quando comparado a R$ 65,7 milhões investidos no mesmo período de 2007.
Os maiores custos com marketing dão o tom de um dos principais objetivos da Net: diversificação dos serviços oferecidos e de sua base de clientes. A empresa, cuja rede cobre 45% dos domicílios das classes Ae B, quer crescer no mercado de menor poder aquisitivo. De acordo com estudos da empresa, cerca de 27% da população que não possui computador tem intenção de adquiri-lo. "Esse movimento irá gerar novas oportunidades de negócios. Um de nossas metas é entrar nos domicílios e segmentá-los. Se o segmento classe C mostrar-se viável, podemos dobrar o número de pontos disponíveis", diz Elek.
A empresa na Bovespa
As indefinições sobre a cobrança do 2 ponto já estão refletidas no desempenho das ações da Net na bolsa. Os papéis da empresa caíram cerca de 10% desde o início do ano. E devem continuar pressionados até a decisão.
"A possível vinda das empresas de telefonia celular para o ramo de TV a cabo preocupa mais do que a questão do 2 ponto", diz o analista de telecomunicações do Banif, Alex Pardellas. A instituição dá recomendação de compra às ações da companhia. O preço considerado alvo é R$ 25.
A decisão da Anatel não terá reflexos sobre os resultados do 3 trimestre, pois a cobrança está permitida pelos próximos dois meses. "Essa questão deve alterar o preço do papel, mas não sua recomendação de compra", prevê a analista do Fator, Jaqueline Lison. A corretora trabalha com o papel a R$ 37, quase o dobro da cotação de ontem na Bovespa: R$ 19,60.
Fonte: Gazeta Mercantil